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Terça-feira, 15 de maio de 2012 - 14h57m

Política > Código Florestal

Segurança jurídica para produzir alimentos



Por Wandell Seixas

O Brasil carecia de uma legislação florestal atualizada e a Câmara Federal apreciou a propositura por longo período e por maioria esmagadora foi aprovada. O novo Código Florestal encontra-se agora em mãos da presidente Dilma Rousseff para a devida sanção ou veto de itens que forem desconsiderados por ela.

As manifestações contrárias ou a favor já se posicionaram. Algumas iniciativas partem de Ongs estrangeiras interessadas no subdesenvolvimento brasileiro e na dilapidação do seu patrimônio florestal, entre tantos outros. Estão vestidas com peles de cordeiro, mas refutam o crescimento nacional em nome de bandeiras nobres. Muitos brasileiros caem no conto da carochinha e deixam se iludir.

A própria revista Isto É trouxe matéria de capa em recente edição sobre o polêmico tema. O “Veta, Dilma!” é fantasioso e parece fazer o jogo contra o desenvolvimento sustentável da agricultura. É um total desrespeito aos que se dedicam a produzir alimentos. Os brasileiros hoje têm fartura em decorrência dos investimentos no campo.

O governo tem ignorado o meio rural ao longo do tempo. Onde estão as escolas, os postos de saúde com médicos? Onde estão as estradas para escoamento da produção e dos insumos agrícolas? O Brasil detém um potencial hídrico sem precedentes. Mas, onde estão os investimentos do governo na navegação fluvial? E os portos interiores e no litoral? A própria ferrovia anda a passos de tartaruga.

Não existe comida mais farta e barata que no Brasil. No entanto, há uma pressão descabida contra os produtores rurais. A presidente Dilma Rousseff precisa ouvir bem os seus interlocutores do campo para não cometer injustiças. Nem tampouco levar o País à miséria sem precedentes. Enfiar o cutelo goela abaixo no produtor pode ampliar o êxodo rural. E quem vai produzir comida farta e barata?

Cuidado, senhora presidente, com os conselheiros urbanos, medíocres engravatados e que não sabem a diferença entre alho e bugalho. Amanhã pode ser tarde demais, na hora que faltar arroz e feijão no prato do descamisado. O meio ambiente, hoje mais que nunca, é uma preocupação geral e não apenas de meia dúzia de bebedores de chope no final de tarde nos aconchegantes botecos.

Acompanho há muitos anos os produtores rurais em sua lida cotidiana e ninguém mais que eles querem a preservação ambiental. Eles nasceram, cresceram e vivem na roça e da roça. Eles sabem o que é uma grota e sua importância. As nascentes dos córregos precisam ser preservadas, assim como as encostas dos morros. E mais rápido do que se pensa, os produtores desinformados se inteiram do valor da prática preservacionista e as põem em prática.

No campo como na cidade, nem sempre se precisa de leis e sim de educação. Quem mais contraria as leis ambientais é a população urbana. Mas, muitos preferem a covardia e vão contra os mais fracos nessa escala de valores.

O deputado federal Ronaldo Caiado (Democratas GO) é uma liderança ruralista respeitada, um médico conceituado, um produtor que sabe ir ao curral de madrugada para tirar leite, tem sido um batalhador na Câmara Federal em defesa dos agricultores e criadores.

Como um Robin Hood ele chega a perder a voz ao insistir no comentário de que a proposta do Senado Federal impunha insegurança jurídica à aplicação da lei, pois, no seu artigo 1º, submetia todo o Código Florestal a uma série de princípios com viés unicamente ambientalista e que não levam em conta a produção agrossilvipastoril brasileira. O Código Florestal aprovado pela Câmara é mais realista.

Não se pode em sã consciência, como querem os fanáticos ambientalistas, separar meio ambiente do econômico e social. É irracional abrir mão de 33 milhões de hectares de terras de produção de alimentos. Esses números são praticamente 14% da área plantada.

É como bem ressalta a senadora Kátia Abreu (PSD-TO): “Reduzir 33 milhões de hectares de produção agropecuária significa anular, todos os anos, cerca de R$130 bilhões do PIB do setor. Para que se tenha uma noção do que representam 33 milhões de hectares, toda a produção de grãos do Brasil ocupa 49 milhões de hectares”.

“Não veta, Dilma!” é melhor caminho para que o País prossiga com a sua vocação agropecuária e contribua para alimentar a sua população e o mundo.

Jornalista e assessor de comunicação - Goiânia/GO
E-mail: wandell@terra.com.br


Fonte: Página Rural












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